domingo, julho 17, 2005

Estatística e método

Voltando agora q estou em férias. Você acha que estatísticas servem pra ciência? Muitos dizem que não, uma vez que estatísticas não provam nada: sabemos que quando A acontece B também acontece. Mas não podemos definir se A causou B ou vice-versa. Entretanto, talvez possamos usar estatísticas pra ter evidências, pistas talvez. Enfim... Num artigo chamado “A Retórica na Economia”, Donald McCloskey (que agora não é mais Donald, uma vez que o rapaz fez uma cirurgia pra trocar de sexo) comenta de forma lúdica a respeito da metodologia nas escolas de pensamento econômico. Metodologia é assunto comum pra TODAS as ciências. A seguir, seguem-se trechos de seu artigo:

Cada escola econômica tem seus vínculos cômicos com a metodologia. Uma metodologia econômica marxista, por exemplo, tem regras tais como:
  • A história de toda sociedade existente até o presente é a história da luta de classes.
  • Empregue estatísticas, são científicas.

A metodologia neoclássica diz:

  • A história de toda sociedade existente até o presente é a história da interação entre pessoas egoístas.
  • Empregue estatísticas, são científicas.

A metodologia austríaca afirma:

  • A história de toda sociedade existente até o presente é a história da interação entre pessoas egoístas.
  • Empregue as estatísticas com cautela, se é que o faz, pois são ficções transitórias.
  • Tenha cuidado com os comentários que não estão de acordo com os preceitos metodológicos austríacos

Que tal? Qual metodologia parece-lhes mais simpática? Acho que o velho Popper, que não gosta de marxistas e psicanalistas, gostaria da declaração de seus conterrâneos austríacos. Já McCloskey não gosta de métodos. A sua pergunta é: Por que temos que seguir tantas receitas pra se chegar ao conhecimento? É a mesma pergunta que antes fez Feyerabend, aluno de Popper revoltado e autor do livro “Against Method”, no qual afirma que se estivesse sob critérios metodológicos tão fechados quanto o modernismo na época, a tese de Galileu teria certamente fracassado e, conseqüentemente, a nossa Física sofreria um atraso. Os métodos são apenas crenças para McCloskey, apenas mais um tipo de religiosidade. De repente, temos que usar tudo que podemos: há muitas formas de se chegar ao conhecimento.

1 Comments:

Blogger Manoel Gehrke Ryff Moreira said...

O Thomas e eu descobrimos o McCloskey juntos. Achei muito legal o texto, especialmente a parte de que a evolução do pensamento econômico se dá pela retórica. Realmente, os fenômenos econômicos são muito complexos e instantâneos, dando uma sensação que de as teorias dificilmente conseguem ser "provadas". Chega-se ao extremo de se afirmar que "economia é literatura". Deveriamos, portanto, estudar teoria literária para compreender o seu avanço científico ao invés de nos determos em simplificações exageradas, que possibilitam obter resultados desejados a priori. Esses resultados estão relacionados a algo que acredito ser central em economia, a ideologia.
Para ver a biografia da professora McCloskey veja:
http://www.uic.edu/depts/engl/faculty/prof/dmccloskey/bio.htm
Relata inclusive a sua mudança de sexo, além de sua vida acadêmica um tanto controversial.

9:56 PM  

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