segunda-feira, maio 16, 2005

Santo Lamy?

Pascal Lamy venceu. Deve assumir o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio em setembro. Digo "deve" por que existem pressões por parte dos países emergentes para que sua posse seja adiantada. O motivo seria de que setembro é muito próximo de dezembro, mês que ocorre a reunião ministerial de Hong Kong, encontro fundamental para o sucesso ou fracasso da chamada rodada de Doha.
O francês é a última esperança tanto dos países desenvolvidos quanto dos em via de desenvolvimento. Os primeiros depositam suas últimas fichas na tentativa de convencer os segundos a abrirem seus mercados para produtos industrializados, enquanto que a turma do G-77 tenta de qualquer forma chegar a um consenso sobre a liberalização do comércio agrícola entre o norte e o sul. A verdade, porém, é que nenhum dos dois grupos conseguirá o que quer sem dar o braço a torcer. O avanço com sucesso da rodada de Doha depende da reunião de Hong Kong por um simples motivo: o fast-track power de George Bush. Com esse poder, o presidente dos Estados Unidos pode tomar qualquer decisão sobre o comércio internacional sem o aval do Congresso, que deu tal regalia ao chefe do Executivo até meados 2007. Caso um consenso não seja estabelecido em dezembro próximo, seria necessária uma nova reunião ministerial para que alguma solução fosse alcançada. E aí está o problema!
Um sentimento protecionista está envolvendo os congressistas de Washington devido, entre outros motivos, à guerra comercial entre EUA e China. Especialistas dizem que grande parte do déficit comercial americano se dá por causa da desvalorizada moeda chinesa, fazendo com que os produtos da China se tornem mais competitivos do que realmente são. Um exemplo da ira americana pôde ser observada na (re)imposição de quotas aos produtos têxteis chineses (leia).
Caso, ano que vem, o Congresso norte-americano não postergue o fast-track power do presidente Bush, será muito provável que qualquer acordo de Doha seja bloqueado pelo legislativo. Por isso é essencial que, no restante deste ano, os líderes dos países empenhados em uma solução para o impasse da OMC trabalhem em conjunto, negociando e barganhando suas vontades em trocas de concessões. Para isso será necessário um papel ativo de Pascal Lamy pelos bastidores da organização, tentando convencer seus conterrâneos a abrir mercados ditos ' sensíveis' ao mesmo em que sua outra mão esteja gesticulando com Brasil e Índia na busca de resultados semelhantes.

1 Comments:

Blogger Thomas H. Kang said...

Infelizmente eu pouco acompanho as notícias envolvendo o comércio internacional e seus problemas de negociação. Esse post com certeza foi um bom resumo pra eu aprender algo sobre essa matéria que, embora não constitua no assunto no qual eu mais me interesso, refere-se a questões práticas relacionadas à economia. É muito importante estarmos atentos ao que se passa no mundo.

1:28 PM  

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