domingo, abril 24, 2005

UM LUGAR ONDE AS PESSOAS PODEM SER ENGANADAS CONTINUAMENTE

Ezequiel Giacomolli

“Cada povo tem o governo que merece!” Estou cada vez mais convencido disto, tão convencido que me arrisco a uma custosa paráfrase: cada povo tem o Estado que merece, a Economia que merece, o crescimento econômico que merece,......a vida que merece!
Não perdendo de vista tal preposição, e olhando para o caso brasileiro, as coisas parecem ficar obvias: um país de terceiro mundo com “invejáveis” índices de corrupção, miséria e desemprego. Por quê? Por que isso ocorre? É culpa do FMI, dos capitalistas, dos economistas ....dos altos juros, do neoliberalismo; ou será em virtude de nossas instituições obsoletas e ineficientes??!
Mas o pior não é isso! Existe algo ainda pior que é a falta de bom senso do povo brasileiro, pois em caso contrário tudo seria muito simples: eu (ou seja lá quem fosse) apresentaria modelos de instituições mais eficientes, justificaria com exemplos de economias que adotam tal modelo; faríamos um discussão à respeito das peculiaridades do caso brasileiro e usando de toda ortodoxia democrática, a implementaríamos por meio de Reformas! Mas a falta de bom senso do povo brasileiro reserva a este mesmo povo o MERECIMENTO de baixos salários, desigualdades, pobreza e miséria; tudo isso em função da nossa baixa produtividade do trabalho (falta de qualificação profissional), ineficiência produtiva (falta de mecanismos que tencionem a concorrência a perfeição) e mercados atrofiados (má legislação que encarece o crédito e as trocas), que por sua vez derivam de nossas obsoletas, corporativistas e excludentes INSTITUIÇÕES.
Tomemos um exemplo: o caso das universidades públicas. Bem, até entendo – e é racional do ponto de vista de indivíduos racionais, maximizadores e egoístas - que as pessoas que usam a universidade estatal a defendam; mas não consigo entender porque indivíduos semi-analfabetos, proletários de vida miserável e pagadores de impostos defendem a manutenção de tamanho gasto público para garantir privilégios (ensino gratuito) a filhos de médicos, engenheiros e empresários: que no final das contas são seus próprios patrões malditos, satânicos e exploradores!!
É uma total falta de bom senso, para não dizer irracionalidade, pois a privatização das universidades reduziria os gastos do governo e aumentaria a eficiência das mesmas. Tendo em vista que nós mesmos somos testemunhos da má utilização de recursos! Não quero pormenorizar o dia a dia que todos já conhecemos, mas existe um fato que julgo não ser de conhecimento comum: saibam, meus caros colegas, que os professores dedicação exclusiva da UFRGS não tem controle algum sobre sua produtividade científica, e quanto a lecionar, descobri recentemente que ha alguns anos atrás o governo passou a oferecer uma gratificação extra a quem lecionasse pelo menos 5 cadeiras por ano. Detalhe: hoje todos ganham a gratificação, entretanto a fiscalização deixou de ser feita (segundo um docente da própria UFRGS, a regra de fiscalizar o numero de cadeiras lecionadas não colou!!!!!!!!!! Por que será????).
Sei que nestas horas se levanta a grita em prol da “qualidade de ensino”, mas quero lhes dizer que isso é uma falácia, pois basta criar bons órgãos reguladores e fiscalizadores do ensino. Sei também, e, sei muito bem pois este é meu caso, que existem pessoal que realmente não poderiam pagar uma faculdade privada, mas isso séria facilmente contornado com a expansão do crédito educativo. Que aliás, é um sistema excelente, pois quem já se formou paga para quem vai estudar e o ciclo de créditos se torna infinito, fazendo com que as despesas do governo se reduzam e somente aqueles que realmente necessitam sejam contemplados. Seria o FIM DOS PRIVILÉGIOS A CLASSE MÉDIA ALTA, que até hoje foram bancados pelo trabalhador, e se não bastasse, a produção de tais privilégios se insere num cenário de ineficiência econômica. Sem embargo, na qualidade de futuros economistas, deveríamos ser os primeiros a rechaçar a ineficiência econômica, afinal de contas, os recursos são escassos e as necessidades humanas infinitas.
Sei que os mal intencionados, ainda tentariam argumentar dizendo que instituições privadas são incompatíveis com a produção de pesquisas. Outra falácia dos endinheirados que querem manter seus privilégios e usam de toda sua inteligência para iludir o pobre cidadão que é seu patrocinador. Digo isso porque sei que as universidades privadas desenvolvem muita pesquisa, e sem embargo as mesmas teriam interesse e capacidade de ampliar as mesmas caso o governo fornecesse incentivos. Entre os incentivos não está só o crédito, mas também uma boa legislação garantidora de patentes a fim de aumentar os investimentos empresariais na área científica (algo rotineiro em países como USA, Alemanha, etc em que empresas gastam milhões em pesquisas e desenvolvimento de novos produtos). Mas o que se poderia dizer de um país onde os políticos se vangloriam e são vangloriados por terem QUEBRADO PATENTES??!

4 Comments:

Anonymous Felipe Garcia said...

Caro Ezequiel:
Concordo em partes contigo. Mas, não entendi como tu queres concorrência perfeita e defende ao mesmo tempo a manutenção das patentes que legitimam os monopólios? Fica essa questão.

11:03 AM  
Blogger ezequiel giacomolli said...

Caro Felipe:
as patentes não são um empecilho à concorrência, mas sim um instrumento que a viabiliza. A patente é uma forma de garantia da propriedade privada.
Pense bem Felipe, enquanto que alguns têm a propriedade de terras, casas, carros, etc., outros têm idéias!!!

12:41 PM  
Blogger Thomas H. Kang said...

acabemos com a propriedade privada!

brincadeira...

Universidade Pública:
hj em dia, sendo bem práticos, seria um suicídio acabar com a universidade pública. Sim, universidades privadas poderiam se, devidamente fiscalizadas e incentivadas, fazer pesquisa. Mas isso não se faz da noite pro dia, e não podemos acabar com os únicos lugares que fazem pesquisa no Brasil assim, de repente. É a estrutura que nós temos.

Ah, podemos é melhorar o ensino básico, dando condições pra todos para a disputa de vagas... acho na prática mais sensato para o caso brasileiro específico do Brasil, que é o q vc propõe. Não é mera teoria.

11:07 PM  
Anonymous Felipe Garcia said...

Prezado Ezequiel:
Certamente deve haver incentivos para o avanço de pesquisas. No entanto, é óbvio que determinados incentivos (tais como as patentes tecnológicas)geram monopólios. Isso vai de encontro com a competição perfeita do mercado.

9:38 AM  

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